segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Meu sonho por enquanto adiado.

Perdi o bebê.
No princípio foi um choro contido; depois passou a ser um choro doído. Um misto de dor e revolta. Uma profusão de sentimentos. Como diz meu marido, é tão estranho chorar por alguém que nem conhecemos mas para quem já fazemos vários planos.
E eu que já amava meu marido, hoje o amo ainda mais. Se desdobrou em cuidados e proteções. Antes mesmo da confirmação tornou-se PAI embora já tenha filhas. E continuou a ser PAI na dor da perda.
A vida sempre continua apesar das nossas dores. Mas tenho ao meu lado um homem excepcional. Com certeza isso é imprescindível para superar as dificuldades e transpor os obstáculos.
E agora nos resta esperar. Cumprir religiosamente o resguardo prescrito.
Mas com toda a certeza do mundo, voltar a tentar assim que formos liberados. Não vamos desisitir, apesar da resistência de poucas pessoas. O sonho não é apenas meu. É nosso. Nosso sonho de família, desejado por mim, por minha filha e por meu  marido. Sonho que se sonha junto é fortalecido.
Não nego a tristeza. Não nego os olhares espichados para as barrigas da vida; mas sei que a minha hora chegará. Por enquanto, vou curtindo a gestação da minha cadela que está em vias de parir.

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